Digo do corpo
prisioneiro à terra
dos enganos:
quantos
aviões pedem
pista livre no
instante?
Digo de
uma terra maldita ao corpo
de tantos anos:
quantos
gritos calados e
bradados por
liberdade insana?
Digo de
um silêncio entre
suspiros e ventos:
quantas
bombas eclodem
no passado e futuro do sonho
presente?
Digo de
amores selvagens à
paisagem restante:
quantas
pessoas sofrem de
sífilis na
solidão do encontro?
Mas não
digo de palavras. Meu
peito, face, poema já fedem
mofo de saudade:
quantos
sonetos sonetam nas correntes
sem regras literárias?